domingo, 6 de dezembro de 2009

Outono do espírito


Despe de todas as suas roupas.
Despe de todas as suas máscaras.
Despe de todas as suas emoções.
Despe de todas as suas crenças.

Já há conhecimento suficiente para você.
Não é mais necessário aprender
o intelectual já está em sua capacidade máxima
mas o espírito ainda aguarda.

Somente ao desconstruir o ego
o espírito tem chance de respirar
e qualquer apego a vida
a torna uma prisão

Viver uma vida plena
não significa aprender tudo que existe
experimentar tudo o que existe
conseguir tudo o que se deseja.

A essência do espírito
consiste apenas em amor.
Tudo o mais se origina desse amor
e volta para esse amor.

Por isso

Despe de todos os seus medos
Despe de todas as suas preocupações
Despe de toda a sua raiva
Despe de toda a sua tristeza

Despe de toda a sua força
Despe de todas as suas certezas
Despe de toda a conformação
Despe de todas as alegrias

Viva apenas no amor
para o amor
pelo amor
em amor

É aí que reside o espírito
numa dimensão onde não existe dualidade,
onde não há bom nem ruim,
só há energia.

A xícara de chá

Um professor de filosofia foi ter com um mestre Zen, Nan-In, e lhe fez perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas, muitas outras coisas.

O Mestre o ouviu em silêncio e depois disse: "Pareces cansado. Escalastes esta alta montanha, viestes de um lugar longínquo. Deixa-me primeiro servir-te uma xícara de chá".

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou.

Quando o Mestre serviu o chá, encheu a xícara do seu visitante e continuou a enchê-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu visitante gritou: "Pára! Não vês que o pires está cheio?".

"É exatamente assim que te encontras", disse o mestre. "A tua mente está tão cheia de perguntas e de opiniões que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia tua xícara e depois volta".


sábado, 24 de outubro de 2009

Reclamo, logo existo - parte 2


"Mude seus pensamentos, e você mudará seu mundo."
Norman Vincent Peale

"Reclamar é se concentrar no que não queremos, é falar sobre o que está errado. E tudo aquilo em que concentramos nossa atenção, se expande... Há duas coisas sobre as quais a maioria das pessoas concorda:
1- Há reclamação demais neste mundo.
2- O mundo não é do jeito que gostaríamos que fosse."
Will Bowen

"O homem inventou a linguagem para satisfazer a sua necessidade profunda de reclamar."
Lily Tomlin

Você conhece alguém que clama aos quatro ventos que é uma pessoa negativa, pessimista, destrutiva e negativa? Ninguém se considera essas coisas. Mas é muito simples para nós identificar e tachar alguém que nos apresente essas características. E depois, ir reclamar com uma terceira pessoa sobre isso!
Sim, temos mais facilidade em entrar na espiral da reclamação perto de algumas pessoas e menos de outras. Às vezes, a gente pode perceber que algumas de nossas pessoas mais queridas são as com que a gente mais se aprofunda nas reclamações, e pode ser que essa relação se baseie no fato de que vocês incentivam um ao outro a reclamar da vida.
Talvez você perceba, ao tomar consciência do conteúdo de suas conversas com as pessoas, que o ponto em comum entre essas conversas seja reclamar, não importa sobre o que, mas fazemos isso diversas vezes por dia. Podemos claramente identificar quando uma pessoa está reclamando (e até perceber que possa ser exagerado), mas raramente percebemos quando nós estamos sendo os chatos.
Pode ser também que você se pegue no meio de uma conversa com alguém, e veja que seu humor mudou para pior, mesmo que você esteja tendo um ótimo dia, apenas porque essa interação se baseou em reclamações.
É claro que existem situações na vida em que reclamar é legítimo, se verificarmos que reclamar significar a expressão de um pesar, uma dor ou um descontentamento, podemos perceber que isso acontece muito raramente. A vida da maior parte das pessoas não é uma tragédia constante, e só porque as coisa não estão indo do 'jeito que a gente quer' não é motivo, é chatice.
Se alguém faz algo que te magoa, atrapalha, irrita, pense bem, ela não fez isso com você, ela fez isso porque ela está se sentindo magoada, atrapalhada, irritada com alguma coisa da vida dela! E se você tem consciência disso na hora em que ela está interagindo com você, você tem o poder de não somente evitar que isso provoque um impacto em você, como também quebrar esse ciclo. Ao não entrar 'na conversa dela', ela pode ter duas reações: melhorar o humor dela, ou cair fora e parar de te encher o saco. Se você não der atenção (ao conteúdo, mas ouvindo com atenção a pessoa) e continuar respondendo sem a influência das reclamações dela, ou ela vai mudar o assunto, ou ela vai perceber que você não é a pessoa que ela procurava para reforçar suas crenças e pensamentos negativos.
Veja que uma pequena atitude como essa a gente já provoca uma transformação imediata na vida de, pelo menos, duas pessoas. Imagine se esse tipo de atitude for repetida por você várias vezes durante o dia. E se for por vários dias, quantas pessoas não serão inspiradas a fazer a mesma coisa com sua família, amigos, colegas de trabalho. E isso se estende para mais e mais círculos sociais. Isso realmente pode mudar o mundo.
Ou, no mínimo, o seu mundo. Ele fica mais colorido quando você percebe que não entrega o poder da sua vida às reclamações, mas a uma interação tranquila e realista com as pessoas a tua volta. Tranquila, porque suas conversas não serão mais baseada na 'competição' de quem reclama mais e você simplesmente pode relaxar e apreciar a companhia da outra pessoa. Realista, pois essas conversas serão baseadas no que acontece de verdade em nossa vida, e não numa historinha que a gente conta pra gente mesmo na nossa cabeça e repete para o outro.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Reclamo, logo existo - parte 1


"Cada um de nós cria seu próprio destino, mas apenas os bem sucedidos admitem isso."
Earl Nightgale

"O universo é a mudança; a vida é o que o pensamento faz dessa mudança."
Marco Aurélio

"Reclamar é falar de coisas que você não quer, em vez de falar daquilo que você quer. ... Nossos pensamentos criam nossa vida, e nossas palavras revelam o que pensamos."
Will Bowen

Outro dia estava conversando com a mamãe sobre uma constatação: se pararmos de reclamar, não temos papo com a maior parte das pessoas em nossas vidas. Sei que essa é uma afirmação meio forte e categórica, mas convido você a parar para pensar no que consiste boa parte dos diálogos que travamos com as pessoas durante um dia: acordamos, e mesmo que não haja absolutamente ninguém do nosso lado, nós já xingamos o despertador, ou o fato de ser segunda-feira, ou se tá frio ou tá calor, ou porque não dormiu direito.
Mesmo se você for uma dessas criatura abençoadas que acordam cantando feito passarinho, é inevitável soltar algo do tipo: 'poxa, tá chovendo', ou ' o padeiro não acertou na receita hoje', ou ainda 'tomara que o trânsito não esteja daquele jeito hoje'.
Ok, você é daqueles megaotimistas que brinca do jogo do contente feito Poliana moça. Você também reclama. É só concordar com alguém em uma conversa do tipo: 'Não é um absurdo aquela robalheira no Planalto Central', ou 'A fila do banco tá grande hoje, né?'.
Se durante um dia, somos capazes de admitir que reclamamos, pelo menos um pouquinho, imagine uma vida inteira! Passando um dia me observando e me 'pegando no ato', percebi que até num dia perfeito consegui encontrar defeitos, ou pelo menos falar de alguém pelas costas (mesmo que seja um por menor sem uma fofoca envolvida).
Nossa inteiração com o mundo é feita por meio da expressão do que se passa em nossos pensamentos. E se em nossos pensamentos a maior parte do tempo estamos reclamando de algo, vamos passar boa parte do nosso tempo consciente reclamando também com os outro. A questão é que a maior parte das pessoas irá concordar conosco nessa reclamação, e ainda terá a acrescentar algum caso que aconteceu com ela ainda pior, e em pouco tempo vocês estarão num campeonato mundial da pior desgraça em minha vida.
Exemplo típico é o pessoal reunido no cafezinho do meio da tarde no escritório. Você é capaz de lembrar a última vez que o papo girou em outra coisa a não ser reclamar: do chefe, do salário, da quantidade de trabalho, do dia que passa devagar ou depressa demais, da reunião que foi ou que tem que ir, do pedido maluco de algum gerente doido, de alguém que foi mal educado ou grosso ou indiferente, e a lista continua...
Você consegue ter uma conversa quando chega em casa depois do dia inteiro fora que não seja baseado em chateações que aconteceram durante o dia? Sobre o que você conversa com sua esposa/o, filho/a/s, mãe e pai, colega de apê, irmã/o, ou até com o cachorro?!? Pare para observar o que sai da sua boca quando algum deles pergunta: 'Como foi seu dia?'
Meu convite hoje é para nós pararmos para nos observar: o quanto da minha interação com os demais é baseado em reclamações? Assim que você terminar de ler esse texto, preste atenção em tudo que sair da sua boca por 24 horas e veja como você é em relação a reclamações. Desde as mais singelas sobre o tempo, as mais óbvias sobre o trânsito, até as mais sutis como as ironias que soltamos quando falamos de alguém que não está presente.
Não se jugue, afinal de contas, somos seres humanos, somos máquinas programadas para reclamar :)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Expire........ Inspire....


"Cada uma das quatro variáveis - respiração, músculos, emoções e estado mental - tem sobre as outras um efeito dominó. Quando uma variável se altera, alteram-se igualmente as demais. Isso nos propicia importantes informações sobre como administrar melhor a vida e a saúde.

Se pudermos influenciar facilmente uma das variáveis, poderemos influenciar as outras. No entanto, é bem mais difícil influenciar diretamente os estados mental e emocional do que os músculos ou a respiração. Você já reparou como é difícil controlar a ansiedade ou a raiva? (...) Nós temos pouquíssimo controle sobre os nossos pensamentos e sentimentos, que parecem dotados de vontade própria. Todavia, podemos influenciar a nossa respiração e músculos com certa facilidade. Graças a isso, conseguimos administrar diretamente o modo como nos sentimos fisicamente e, indiretamente, controlar as emoções e o estado mental. Eis por que a percepção e o controle da respiração podem ter impacto benéfico em todos os níveis de stress."

Ingrid Bacci

Voce ja ouviu de alguem tentando te ajudar a acalmar de um choro ou uma crise de ansiedade: 'Repire fundo'? Sabemos, mesmo que inconscientes, desse mecanismo de troca entre corpo, mente e espirito, mas mal utilizamos a nosso favor.

Uma vez ouvi que respiracao curta ou ansiosa significa nao falta mas excesso de ar nos pulmoes. Isso ocorre porque quando expiramos muito rapido e sem consciencia, o ar nao eh totalmente expulso dos pulmoes, e acontece um acumulo de gas carbonico no organismo, o que nos leva a um estado torpe, e consequente falta de discernimento e energia.

Da proxima vez que alguem te disser 'Respire fundo' ou voce se encontrar nervoso/a, agitado/a, com medo, ou qualquer sentimento desconfortavel, expire. Expire devagar, comprimindo primeiro o abdomen, como se fosse encostar a barriga nas costas. Assim, voce estara pressionando o diafragma para cima, encurtando o espaco dos pulmoes no tronco. Depois as costelas e o peito, para diminuir ainda mais o espaco dentro da caixa toraxica, 'expremendo' os alveolos pulmonares ate seu limite, se livrando de todas as toxinas que invadiram seu corpo num estado emocional e mental agitado.

Ai sim, inspire. Voce vai notar que nao eh preciso nem fazer forca, o ar naturalmente entra nos pulmoes, renovando o oxigenio do corpo e a sua energia vital (prana). Faca devagar e com consciencia, visualizando cada celula recebendo essa dadiva divina.

Faca dessa um pratica. Ao acordar, ao ir para a cama dormir, antes das refeicoes, qualquer hora do dia. Substitua o cafezinho no trabalho por respiracoes profundas, quando quiser fazer uns minutinhos de folga. Tire os olhos do cumputador para descansar os olhos de hora em hora e faca uma, tres, cinco, dez respiracoes profundas, e descanse tambem o resto do corpo e a mente.

Uma pratica, que se incorporada diariamente, traz muitos beneficios para a saude fisica, eh contar 4 tempos para a inspiracao, 7 para segurando o ar, e 8 inpirando. Faca 4 repeticoes. Sim, eh so isso!

Respire agora, ao terminar de ler essa mensagem. Vamos la, expire, todo o ar para fora dos pulmoes, comprimindo o abdomen e o tronco. E deixe o ar naturalmente entrar pelo seu corpo, enchendo o abdomen e seu corpo de energia nova.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Brisa del mar, llevame hasta mi casa.


"Voltar para casa é algo muito agradável. Mas voltar para casa é, às vezes, difícil. Às vezes, somos relutantes em voltar para casa porque temos receio de que, voltando pra casa, temos que tocar a dor, a mágoa, o medo que estão lá. Deve haver um jeito de voltar para casa que não nos amedronte. Temos que encontrar uma maneira de voltar para casa com amor, com segurança; e devemos estar praticando juntos."

CD “Teachings on Love, Sounds True”

Quando decidimos deixar a casa de nossos pais, nao importa a idade ou a circunstacia, eh um misto de euforia e panico. O mesmo ocorre quando voltamos, seja para visita-los quando se mora longe, seja para novamente habitar a mesma casa, seja apenas um habitual almoco de domingo.
Quando decidimos viver no mundo la fora, e depois voltamos para dentro de nohs mesmos, os sentimentos sao parecidos: nao sabemos muito bem o que vamos encontrar, mas sabemos exatamente o que vamos encontrar. Nao temos certeza se, o que deixamos la da ultima vez, se transformou e em que, ou mofou e vamos ter que fazer uma bela limpeza, ou simplesmente desapareceu aquela coisa que eramos tao apegados antes.
Se estamos acostumados a sempre ligar para casa para saber o que ocorre, como vao as coisas, eh mais provavel que nao nos surpreendamos com que encontraremos la quando formos visitar as pessoas que moram la. Quando estamos em constante contato, eles nos contam os fatos triviais do dia a dia, dividem conosco as angustias e boas novidades.
Se estamos acostumados a sempre desligar o mundo la fora e ouvir o que o mundo dentro de nohs tem a nos dizer, eh mais provavel que entendamos melhor o recado que nosso corpo, mente e alma nos passam a todo momento. Muitas vezes ignoramos nossos sentimentos simplesmente porque nao sabemos ouvir a linguagem falada neste mundo interior. Uma reclamacao eh um pedido de socorro. Um sorriso eh uma dica de saude. Um choro pode ser alegria ou tristeza ou uma simples forma de colocar para fora coisas muito intensas.
Criar um relacionamento com contatos frequentes, tanto com nossa familia quanto com nossa alma, faz bem pra saude do corpo, acalma o coracao e acalenta o espirto.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pense sobre meditar.


"Uma vez que desfrutamos todos os aspectos da vida como um desdobramento da mente grande, não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva. Assim, nossa serenidade é imperturbável."

Quando estiver praticando zazen (meditacao sentada), não tente deter seu pensamento. Deixe que ele pare por si mesmo. Se alguma coisa lhe vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar por coisa alguma. Pode parecer que essa coisa vem de fora, mas, na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais calmas."

Suzuki, Shunryu

Voce ja tentou alguma pratica de meditacao? E que tal um tratamento holistico como a acupultura? Voce ja fez uma semana de desentoxicacao para limpar o corpo e a alma? E rezar, faz o fez parte da sua vida? Ja percebeu que quando como muitas "besteiras" o corpo e a mente ficam mais lentas, enquanto quando come de forma saudavel eles parecem funcionar em harmonia? E uma noite de sono restauradora nao faz milagres pelo nosso humor? Voce sente sua energia se restabelecer quando coloca os pes num gramado ou nas areias da praia?
Na velocidade do mundo de hoje, nos deixamos levar por praticas bem mais 'agressivas' a nossa natureza e depois ficamos nos questionando porque nao temos paz interior. Nos jogamos na terapia das compras depois de um dia frustrante, na do chocolate depois de uma decepcao amorosa, na da cerveja pra compensar a loucura do trabalho, na da TV para anestesiar uma mente cheia de preocupacoes, na das festas e rocks para se esquecer da solidao interna, na da batata frita pra ficar mais facil de engolir a raiva.
Todos esses tipos de recursos sao esfregados na nossa cara a todo momento e parece-nos a saida mais facil e obvia para nossas dificuldades na vida. Mas elas sao o oposto: elas alimentam e fortalecem ainda mais nossa nocao de que somos incapazes diante dos acontecimentos da vida.
Qualquer tentativa de se alimentar melhor ou de acalmar o coracao nos parece inatingivel, porque achamos que falhamos na primeira tentativa. Mas eu te pergunto: quantos anos voce ja pratica essas 'terapias da fast life' sistematicamente? Elas nao se tornaram tao poderosas que ja te parecem automaticas que voce nem precisa pensar em ativa-las? E se voce iniciar uma nova pratica hoje, nao vai levar um tempo ate que voce consiga faze-la de forma 'natural'?
Nao criticamos um bebe que esta aprendendo a andar porque ele cai. Por que deveriamos nos criticar porque nao conseguimos acalmar nossas mentes? Ser duro consigo mesmo so nos leva de volta ao caminho automatico, sem consciencia. Quando tomamos consciencia de nossa respiracao, nao sentimos necessidade de aprofunda-la para relaxarmos? Mas quando tomamos consciencia de nossa mente, brigamos com ela porque ela esta agitada, e ai entao ela fica ainda mais agitada, e ficamos com essa sensacao de que tem alguma coisa errada com ela.
Hoje, sabemos que somos parte de uma todo, e que nosso todo tambem eh feito de partes interconectadas: corpo-mente-alma. Uma provoca impacto na outra. Se sua mente esta agitada, que tal acalmar o corpo com alimentos saudaveis e um ambiente tranquilo? Se seu corpo esta doente, que tal aprofundar sua consciencia da alma? Se sua alma precisa de atencao, que tal um exercicio com a mente, como ler um livro?
E o que acontece quando
se esta consciente em tudo que se faz na vida e voce descobrir que qualquer pratica, feita com consciencia equilibra corpo-mente-alma?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Como transformar lixo em flores

Thich Naht Hahn

O jardineiro orgânico não pensa em jogar fora o lixo. Ele sabe que precisa do lixo, pois é capaz de transformá-Io em adubo composto, para que este possa novamente se trans­formar em alface, pepino, rabanete e flores. Tanto a raiva quanto o amor possuem uma natureza orgânica, o que significa que ambos podem mudar. O amor pode se transformar em ódio. Você sabe muito bem disso. (...)

Se você enxergar em si mesmo os elementos do lixo, como o medo, o desespero e o ódio, não entre em pânico. Na quali­dade de um bom jardineiro orgânico, de uma pessoa que pratica bem os ensinamentos, você tem condições de enfren­tar essa situação: "Reconheço que existe lixo em mim. Vou transformar esse lixo num adubo composto capaz de fazer meu amor reaparecer." Quando você conhece e pratica as técnicas da respiração consciente, do andar consciente, do sentar consciente e do comer consciente, você consegue gerar a energia da plena consciência e abraçar sua raiva ou seu desespero. O simples fato de você acolhê-Ios e abraçá-Ios já lhe trará alívio. Depois, sem afrou­xar o abraço, você pode se dedicar à prática de examinar pro­fundamente a natureza da sua raiva.

A prática, portanto, encerra duas fases. A primeira envolve o abraçar e o reconhecer: "Minha querida raiva, sei que você está presente, estou cuidando muito bem de você." A segun­da fase consiste em contemplar profundamente a natureza da sua raiva para ver como ela surgiu.